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História de
Tiradentes
Em 1702, um taubateano, João de Siqueira Afonso, de
passagem pela região, identificou manchas auríferas nas
encostas da Serra de São José. Da exploração dos veios de
ouro na serra e descoberta do metal precioso aluvional, nas
águas do Rio das Mortes e do Rio Turvo nasceu uma povoação,
com sua Capela dedicada a Santo Antônio. Alguns
historiadores dão como primeiro nome a essa povoação o de
Arraial da Ponta do Morro, contestado por outros que indicam
Ponta do Morro como local próximo ao atual povoado de
Pinheiro Chagas, no Município de Prados. O certo é que o
arraial ficou conhecido como Arraial Velho do Rio das
Mortes, devido ao aparecimento do Arraial de Nossa Senhora
do Pilar, denominado Arraial Novo do Rio das Mortes, em 1704
(hoje São João del Rei).
Da primitiva Capela de Santo Antônio não restou
documentação. Herculano Veloso diz Ter existido três capelas
com a mesma invocação, chegando até nossos dias a de Santo
Antônio do Canjica. A freguesia criada talvez antes de 1710
tinha como Matriz um igreja de madeira que foi, após o
referido ano, substituída por outra de taipa de pilão.
No começo do governo de D. Pedro de Almeida e
Portugal, sucessor de D. Baltazar da Silveira, no Governo
da Capitania de São Paulo e Minas, os homens de destaque do
Arraial Velho enviaram ao referido Governador uma petição
para que se erigisse em Vila a freguesia de Santo Antônio.
A petição teve despacho favorável de D. Pedro de
Almeida, futuro Conde de Assumar, em 19 de janeiro de 1718.
Por impedimento do ouvidor da Comarca do Rio das Mortes, o
Dr. Valério da Costa Gouvêa, foi nomeado o Juiz Ordinário da
Comarca Antônio de Oliveira Leitão para a instalação da
Vila, que recebeu o nome de São José em homenagem ao
príncipe D. José, futuro Rei de Portugal.
Nos primeiros anos o ouro brotava docemente da terra e
um fato nos dá conta disto: o capitão João Ferreira dos
Santos e João de Oliveira descobriram grandes depósitos de
ouro nas margens do leito do Rio das Mortes, em 1720, no
local denominado Cuiabá, atualmente um bairro de Tiradentes.
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O Século XIX foi o século da decadência de São José, o ouro
escasseara, as minas não mais produziram como antes. Um ou
outro minerador ainda conseguia se manter. A comarca do Rio
das Mortes sobreviveu quase que exclusivamente da
agricultura e da criação de suínos que eram vendidos
no Rio de Janeiro.
No extremo da decadência, pela Lei Provincial nº 360,
de 30 de setembro de 1848, foi suprimido o município de São
José que um ano após foi restaurado pela Lei 452, de 20 de
outubro de 1849. A Lei 1.092, de 7 de outubro de 1860
concede a São José os foros de cidade, consevando a
denominação de São Jose del Rei.
No início do ano de 1889, o escritor Silva Jardim, em
visita a região, após ter passado por São João del Rei,
chega a São José e na estação da EFOM fez um discurso
inflamado sobre a causa republicana e sugeriu a mudança do
nome da cidade para Tiradentes, em homenagem ao seu filho
mais ilustre. Proclamada a república, em 15 de novembro, o
presidente provisório de Minas, José Cezário de Faria Alvim,
decreta a mudança do nome de São José para Tiradentes, por
decreto, em 6 de dezembro de 1889.
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Foto: Kiko
Neto
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Fonte: Olinto
Rodrigues dos Santos Filho.
Pesquisador do
Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural.
Membro do IHG
de Tiradentes
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